Esta opinião já vem um pouco atrasada. O livro «O Barão de Lavos», de Abel Botelho, foi a minha escolha para o desafio do «Ler(-te) em Português do mês de Novembro e a verdade é que estamos perante um livro muito delicado. Eu diria, nada fácil.
Integrado na trilogia «Patologia Social», este livro retrata o tema da homossexualidade e a pedofilia tendo, inclusive, para alguns, o mérito de ser a primeira obra a retratar aqueles temas.
Talvez por esse motivo não seja um livro fácil de interiorizar. Pelo menos comigo não foi.
É a história de um homem, D. Sebastião, mais conhecido pelo Barão de Lavos, casado com a Baronesa Elvira que, desde que se conhece, tem uma queda nada subtil por rapazes jovens.
Nesse caminho conhece um rapaz de 15 anos Eugénio e estão assim as linhas criadas para imaginarem o que se seguirá. Contudo, temos o efeito surpresa de um Eugénio esperto e interesseiro que a par com a paixão assolapada a inconsciente do Barão, aproveita o à vontade daquele e as suas visitas regulares a casa para alimentar a paixão que despertará, também, à própria Elvira.
Que drama, diriam. Eu concordo.
Gostei particularmente do pormenor do autor em frisar o interesse da Elvira pela leitura de «Madame Bovary», pois mais do que a paixão homossexual, este livro exulta o adultério nas suas diferentes facetas e a dor, igualmente multifacetada, que imprime a cada um.
Quando o Barão descobre a traição do jovem e da sua própria mulher, jamais se conseguirá recompor. Mais amores estarão por surgir, no entanto, acreditem, que mal fadados também.
Uma história pesada, eu diria, mas que ainda assim não deixa de nos obrigar a refletir num conjunto de valores, que à data da publicação do livro, hoje em dia, continuam urgentes nesse sentido.
Por aí recomendo vivamente a leitura. Como experiência pessoal, nunca é fácil sermos confrontados com a mesquinhez de sentimentos que nos levam para tão longe do suposto...
Boas leituras.
E agora, venha o último desafio! :)