Adeus, até amanhã (William Maxwell)

sábado, 10 de fevereiro de 2018


William Maxwell, conceituado escritor americano, é o autor do livro tido como o "pequeno romance perfeito", pelo Washington Post Book World. Trabalhou com autores igualmente notáveis como, por exemplo, Vladimir Nobokov e John Updike.
 
Neste pequeno romance perfeito, Maxwell empurra-nos para uma história em que a amizade, o passado, o arrependimento e a nostalgia são pontos assentes e que, somados e misturados, se transformam numa história sem fim, em aberto, como os arrependimentos escuros que nos habitam como nódoas.
 
Em «Adeus, até amanhã», encontraremos um narrador sem nome, a percorrer sem freio o passado e o presente na angústia de quem perdeu oportunidades. Uma perda seca, desamparada, o momento chave do é ou não é. Não foi, e por muito fragmentado que fosse o tempo dessa oportunidade, o arrependimento dessa não ação, dessa timidez de púbere, ditaria assim a nostalgia a vincar-lhe os dias pela vida fora.
 
Tudo começa com um crime, ao que dizem, passional.
A amizade entre duas crianças será, posteriormente, colocada em causa quando percebemos que uma dessas crianças é filho do agressor, este, também morto depois pela própria mão.

O crime, o mistério em seu torno, a curiosidade infantil sobre as motivações, os amores apêndices, desajustados e direcionados para quem não seria suposto, criará uma atmosfera de dúvida, incerteza e afastamento.

O amigo, e nosso narrador detalhado, enfrentará ao longo dos anos a mágoa de não se ter dirigido ao amigo, restando apenas as questões que se viraram para dentro. Um grande "e se".

Com base num único acontecimento - um crime - William Maxwell consegue-nos fazer chegar em catadupa um mar de questões que surgem, unicamente, a partir do coração de uma criança atormentada.

Um livro magnífico a comprovar que a simplicidade de uma história a poderá tornar, para sempre, um peso pesado, à semelhança das entranhas emaranhadas de que só o arrependimento é feito.
Para ler e reler.



Boas leituras,

Paula (Isabel Allende)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018


«Paula» de Isabel Allende é um livro que contém em si toda a sensibilidade do mundo. Acredite, quando falamos da morte, dessa pessoa que parece ficar mas que, irremediavelmente, tem de ir, exige essa nudez de emoções, uma catarse necessária para afastar demónios e encarar a verdade, tal como ela se nos apresenta.
Um livro que é uma espécie de carta emocionada que a autora escreve no momento em que a sua filha padece de uma grave doença que a levará à morte. Uma morte lenta, um coma que não dá alento, uma esperança que teima em ficar de mão dada ao medo incomparável da morte. Sempre fria. Traiçoeira. Estúpida.
Ao longo do livro o leitor terá a oportunidade de conhecer a história da família Allende, as confissões por vezes baralhadas de uma mãe que, na iminência da perda, faz uso da escrita como forma de superar o desamparo que todos aqueles meses lhe imprimem na alma.
É através dessa escrita apaixonada, desordenada e aflita, que a autora nos revela mais de si, da família, dos filhos, dos amores, dos desamores, de si enquanto mulher apaixonada por todas as formas da vida.
Um livro tocante em que até à última página lhe suscitará a esperança de que Paula fique. De que não continue fechada em si mesma, o olhar vago e perdido de quem encontrou, afinal, uma outra direção. Tão oposta.
A vida é assim, dizem. Tem de primar pelo fim, na esperança de que lhe atribuam toda a esperança antes dessa chegada iminente que tudo termina, que tudo muda, que tudo desnorteia. É precisamente esse aldrabar de um fim que obrigaram a autora a escrever sem parar: uma emergência de quem desespera por dizer tudo o que não disse, colmatar ausências e culpas que sempre surgem no lado mais sombrio dos dias.
 
Se é feito de um coração frágil, leia este livro.
Se é feito de um coração que não oscila, leia este livro.
 
Um daqueles livros que comprovam que o amor, a perda, o luto, a morte e a resiliência, são obrigatoriedades para todos nós. Para refletir. Para amar mais e melhor. Para deixar ir, quando a vida assim o diz.
 
Um livro admirável e que, obviamente, só posso recomendar.
 
Boas leituras,

Para leitores convencidos

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018


 
Seja feliz,
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