Memórias de Papel (Maria Teresa Loureiro)

terça-feira, 3 de julho de 2012

Imagina o mundo sem palavras? Eu tento. E só consigo imaginá-lo assim, se estiveres nele, com a ausência do teu corpo a fazer desenhos nos lençois da cama, a marcar a tua presença silenciosa pela casa. Mas presente. Assim consigo. Um mutismo possível.
Voltaria atrás, arrumaria cada palavra num pequeno saco velho, e nunca, jamais teria cuspido palavras em ti, jamais, jamais!
Que ruína.
"A culpa disto é das palavras."
As palavras levaram o meu coração, quando decidiram sair de mim, e no mesmo momento, te levaram também.


Dá-me uma fatia do teu mutismo feliz. 


Sinopse www.wook.pt: Que fazer com as palavras que nos entristecem? Conseguiremos suprimi-las do nosso pensamento ou o melhor será deixá-las para trás, pelo simples acto de não as utilizarmos no nosso dia-a-dia? Helena começou a zangar-se com as palavras no dia em que fez cinco anos. A partir desse momento, as palavras foram ficando guardadas na sua memória e, como num jogo de sombras chinesas, trocaram-lhe as voltas até ao fim. 

Mulherzinhas (Louisa May Alcott)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Voltar às páginas que desenham as histórias tão doces das quatro irmãs Meg, Jo, Beth e Amy é sempre algo prazeroso, independentemente da idade. Acredito, inclusive, na capacidade desta leitura para recordar esses fantásticos momentos de infância, das pequenas grandes coisas que preenchiam os longos dias, o cheiro dos bolos quentes, as horas dos lanches, o convívio com os amigos, os pequeninos (mas tão grandes!) dissabores vividos na angústia de uma possível amizade desfeita, mas sem nunca ver fim à vista. Afinal, as amizades são feitas de um material que não se quebra, e as irmãs descobrem sempre isso no final de cada dia, no final de cada lição.
A importância de brincar. De sorrir. De rir. De saltar. De estar presente e de que, afinal, o ócio não é assim tão bom se não houver igual oportunidade para aprender e fazer novas coisas, todos os dias. E que organizadas que estas irmãs são!
Meg, a sonhadora e que começa por viver o seu primeiro amor. Jo, a corajosa, a que sonha ser rapaz, mas com coração de escritora e que vive igualmente uma das mais belas amizades com o atrevido e presunçoso Laurie. Beth, a protegida e sensível. E por fim, a tão querida e atrevida Amy, cuidando meticulosamente dos seus loiros caracóis.
Ao longo de um ano nada fácil, estas irmãs, numa união bela, vão aprendendo e crescendo, moldando o coração, com base no alicerce mais importante de todos: a família.

O famoso clássico da literatura juvenil. Eu recomendo-o a todos, em qualquer idade!

Sinopse www.wook.pt: Publicada em 1868, esta obra segue as vidas, os amores e as tribulações de quatros irmãs que crescem durante a Guerra Civil Americana. A história é baseada nas experiências de infância que a autora partilhou com as suas verdadeiras irmãs, Anna, May e Elzabeth. Aqui, as protagonistas são Jo, Meg, Beth e Amy.

A Balada do Café Triste (Carson McCullers)

domingo, 1 de julho de 2012

 

 
Amo-te. E quando é assim, todo o contexto de uma história muda de cor. Surgem sorrisos com som e esse som é doce, como o algodão doce das feiras, onde encaixas na perfeição. Com esses bolsos que carregam sonhos e promessas que fazem tremer os corações mais duros.
O amor continua a ser uma promessa, como a chuva na tua boca, e um sorriso na minha. Todas as cores nas mãos, um mundo que se encolhe na felicidade que apenas os teus olhos reflectem, dos meus. Até ao dia...
E eu amo-te. Até ao dia...
Até ao dia em que não existem reflexos. Não existe qualquer cor transformadora, apenas de um preto e branco, uma balada, um café triste. Vazio. Vazio como a alma negra.
E diria o amor: "Espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais belo do que eu?"
Eu apenas diria que o amor, nessa sua beleza contagiante, possui uma quase mágica capacidade de transformar corações, como se fossem de plasticina. Dá-lhes a forma que deseja, com base na promessa de uma balada, nem sempre feliz, mas sempre, sempre, e sempre, tragicamente desejada.
 
 
Sinopse www.wook.pt: Numa pequena povoação no Sul profundo dos Estados Unidos, Carson McCullers dá-nos a conhecer um trio de personagens pouco convencional. Miss Amelia Evans foi casada durante dez dias com Marvin Macy, o homem mais bem-parecido mas com o caráter mais instável da povoação, e desde aí tem estado sozinha à frente do seu próprio destino. Até um dia chegar à terra um anão corcunda que se afirma seu primo, roubando-lhe o coração e transformando a sua loja num café cheio de vida. Mas quando o marido rejeitado regressa ao fim de vários anos, inicia-se um estranho triângulo amoroso - e a vida no café nunca mais voltará a ser a mesma…
 
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