O Pequeno Amigo (Donna Tartt)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A «História Secreta» de Donna Tartt é um livro repleto de excelentes críticas. Perante «O Pequeno Amigo» fui surpreendida, antes da leitura, com inúmeros comentários de insatisfação perante este segundo livro da autora. Desde o desvio drástico do género narrativo, ao conteúdo, ao número de páginas, foram muitos os aspectos evidenciados. Entre estas e outras questões, discordo totalmente. É verdade que estamos perante um livro que difere um pouco na dinâmica que é apresentada em «A História Secreta», mais fluida e que, por isso, desperta no leitor a avidez da leitura até ao final. No entanto, apesar de mais denso, estamos perante um livro cuja densidade psicológica atribuída aquele livro, é igualmente patente em «O Pequeno Amigo».Ambos os livros da autora parecem ser escritos numa escuridão emocional quase palpável, onde o remorso, a saudade e a tentativa de recuperar um tempo que não volta, são bocados de gelo que permanecem intocáveis em cada personagem, ao longo de cada história.
Mas, focando-me neste «Pequeno Amigo», a história centra-se na morte do Robin, um menino de 9 anos, encontrado enforcado numa árvore perto da casa da família. A partir desse fatídico e cruelmente irónico «Dia da Mãe», nada será o mesmo. A irmã Harriett, com meses na altura, cresce rodeada de histórias fantásticas em torno do irmão e que criam nela um desejo crescente de vingança, custe o que custar... Um desejo de vingança aliado à crença capaz de restabelecer a paz e a harmonia de uma família como sonha ter, com refeições normais, com roupa engomada e que cheira a tal, com ordem em todas as coisas e em si mesma...
O desejo de vingança pode ser tão poderoso que acaba por criar em Harriett a certeza de um culpado. A sua certeza bastou-lhe para criar assim um caminho vertiginoso, por vezes, arrepiante nessa busca de paz interior, de vingança em nome do irmão e de uma família cada vez mais disfuncional.
É assim, com base no medo, na perda, no luto, no remorso, na tristeza, na escuridão das almas que Donna Tartt consegue realçar a densidade psicológica das diferentes personagens, atribuindo-lhe a voz em cada um dos seus momentos, tornando a sua narrativa mais rica e mais viva.
Estamos perante um livro denso, que por vezes deixa o leitor submerso perante as incertezas, de cada um dos personagens, mas nunca indiferente perante a dor e coragem em perseguir uma certeza pela justiça que se vai diluindo na própria dor e fragilidade.
 
Um dos objectivos da autora, com este «Pequeno Amigo» foi criar um ambiente cuja infância fosse retratada num contexto inesperado. Na minha opinião, não podia tê-lo alcançado de forma mais sublime.
 
 
Um livro que merece toda a atenção, determinação e dedicação de um leitor.
 
 
Ao som de: Switchfoot "Only Hope"
 
 
www.wook.pt: Numa pequena cidade do Mississípi, Harriet cresce na sombra do seu irmão, encontrado enforcado numa árvore do jardim da sua própria casa, quando ela era ainda um bebé. O assassino nunca foi identificado, e a família nunca recuperou da tragédia. Harriet, ferozmente determinada, muito precoce para os seus doze anos, decide, num Verão, resolver o assassínio e reclamar vingança. O único aliado de Harriet nesta busca é o seu devoto amigo Hely. Mas o que em breve encontrarão nada tem a ver com brincadeiras de crianças: é obscuro, adulto e demasiado ameaçador. 
 

1 comentário:

Manuel Cardoso disse...

Eu adorei o "História Secreta". Um livro cheio de emoção. Este parece ser também muito interessante. Acho que vou ler...

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