segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Florbela Espanca - Poesia Completa

«Noite Trágica»

O Pavor e a Angústia andam dançando...
Um sino grita endeixas de poentes...
Na meia-noite d'hoje, soluçando,
Que presságios sinistros e dolentes!...

Tenho medo da noite!... Padre nosso
Que estais no céu... O que a minh'alma teme!
Tenho medo da noite!... Que alvoroço
Anda nesta alma enquanto o sino geme!

Jesus! Jesus, que noite imensa e triste!...
A quanta dor a nossa dor resiste
Em noite assim que a própria Dor parece...

Ó noite imensa, ó noite do Calvário
Leva contigo envolto no sudário
Da tua dor a dor que me não 'squece!


Vai com calma.
Já não sei o que mais preciso de pedir. Calma ou um pouco mais de raiva.
Essa inércia de quem tudo quer e apenas se deita numa cama resignada cansa. Ela pergunta. Queres o quê?
Faz-me gritar. Faz-me berrar. Faz-me bater-te.
Queres o quê?
Essa tua doença alastra e consome quem está por perto. Tão inerte e já nem sei o que é ter vontade de dançar, cantar ou, apenas, sonhar.
Queres o quê?
Eu já não tenho bolas de sabão, nem tão pouco mundos cor-de-rosa. Não há nada que possa dar.
E tu nem me fazes gritar. Faz-me gritar. Zanga-me.
Era uma vez num mundo de lençóis soltos, histórias somente perdidas pelo tempo, e retratos estagnados em paredes imaginárias.
Queres o quê?
Aquela casa já não existe. Nem tão pouco aquele cenário doentio.
As promessas ela mesma queimou.
Não precisa.
6 Portas mal abertas. Tem o cadeado na mão, e a 7º Porta ainda nem abriu.


Às noites trágicas. E ao medo de amar.
Ao som de: Adam Lambert “Whataya Want From Me”

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