terça-feira, 11 de outubro de 2016

Do Medo à Esperança (R.Varela e A. Coimbra de Matos)

«Do Medo à Esperança», de Raquel Varela e António Coimbra de Matos é um livro de ensaios, género literário que muito me diz, e que só posso recomendar.
Num tom intimista de duas pessoas que decidem, sem grandes aparatos, partilharem pontos de vista, este livro é, então, o resultado de uma conversa que se quis solta, sem pretensões mas que reserva mensagens, e apontar de dedos, fulcrais no que à sociedade portuguesa diz respeito.
 

Debruçando-se sobre temáticas (tão) relevantes como a educação, a família, o amor, a política, os autores dialogam amplamente sobre os seus diferentes critérios definidores, com o cenário de fundo do medo inerente de cada um. Porque parece estar sempre lá. Um medo que tolhe os movimentos, por vezes mais básicos, incapacitando a pessoa a agir como um dia previra. Como se a esperança fosse um capricho ao qual os portugueses também já não podem aspirar.
 
"Cada vez mais as pessoas
estão isoladas em ilhas."
(Coimbra de Matos)
  
Também a solidão, o desemprego, a depressão, a depressão profissional, ecoam na conversa. Vamos seguindo, um pouco atónitos, tal é o grau de concordância com tudo o que por aqui se diz. Se reclama. Estamos num mundo cada vez mais virado para dentro, solitário, feito de pessoas assustadas e que, à força disso mesmo, se fecham num medo que eventualmente as protegerá de algo ainda pior.
 
A sensação com que ficamos ao ler os diferentes trechos desta maravilhosa conversa é, sobretudo, a de desprendimento. Sim. Permite olhar para nós mesmos, enquanto cidadãs e cidadãos portugueses, questionar até que ponto nos revemos com certas passagens, nos condoemos com certas situações, nos zangamos com as passividades que ninguém parece querer mudar para, num vislumbre novo, podermos ter esperança.
 
 
"O amor enlaça tudo: está no começo, no percurso e no destino. É o segredo: da alegria e da felicidade. Portanto, amar, não «amar loucamente», como dizia Florbela Espanca, mas amar mais e melhor; e sempre."
(Coimbra de Matos)
 
Um livro que recomendo não só pela pertinência dos temas mas, também, pela sabedoria com que os autores expõem os diferentes pontos de vista. É nessa base que o leitor terá a oportunidade de, igualmente, aprofundar os seus e quiçá, recuperar alguma esperança que sinta perdida.



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